Pular para o conteúdo principal

O Butô - oitavas influências

a lulu pediu para a ana nos dar umas aulas de butô.
nem sabia o que era.
ela passou um vídeo com imagens estranhas.
lentas, pareciam fantasmas. outras com os caras e garotas de olhos virados, sei lá, dava uma aparência de transe. falou de kazuo ono e o caralho.
confesso que achei estranho. não imaginava o que estava por vir.
fizemos alongamentos específicos. fizemos movimentos específicos. sozinhos e depois em dupla e em trio.
de repente, ela coloca a questão de passar energias para. um doador, outro receptor. abrir-se. houve uma ordem específica a que eu dei demais importância. chorava sem parar. era para pensar num ente querido que.
bicho, quase desabo. não conseguia praticamente respirar. a ana ficou enviando energia e notei que ela ficou nervosa ao me ver desse jeito. ela fazia o que podia para continuar o exercício, mas o fato é que eu quase me descontrolo.
passaram-se algumas aulas e a gente ia se soltando. num determinado momento, a gente devia colocar os movimentos em nossos personagens. o foco da energia. fiz isso e conversando com a ana ela disse que me via me soltando e que era necessário aperfeiçoar, mas que o caminho era esse.
fizemos uma breve apresentação e vimos os limites de cada um.
aconteceu de a ana orientar a rebeca e a paloma para as cenas respectivas e vi o quanto o detalhe poderia fazer diferença. e que diferença.
liguei para a ana (não coloco o sobrenome porque não autorizou) e a encontrei em vários lugares - ela produz vários espetáculos. falei que talvez a thais e eu queiramos aulas. ela disse que tudo bem.
pois então.
o butô surgiu no japão como reação sentida às mortes da segunda guerra, em especial às da bomba atômica. o foco é sempre a morte. é forte. e sentido e profundo. agradeço demais à lulu e à ana a disposição de nos passar essa tradição. se há algo que imagino é que o trabalho deva ser por aí.
busquem butô no youtube e vejam algo - vale a pena.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Gargólios, de Gerald Thomas

Da primeira vez que assisti a Gargólios, do Gerald (Thomas), na estréia, achei que não havia entendido. Alguns problemas aconteceram durante o espetáculo (a jovem pendurada, sangrando, passou mal duas vezes, as legendas estavam fora de sincronia, etc.) e um clima estranho parecia haver tomado conta do elenco - ou pelo menos assim eu percebi. De resto, entrei mudo e saí calado. Mas eu já havia combinado assistir novamente o espetáculo, com a Franciny e a Lulu. Minha opinião era de que o Gerald, como de praxe, iria mexer no resultado. Por isso, a opinião ficaria para depois. À la Kant, suspendi meu juízo. Ontem assisti pela segunda vez ao espetáculo. E para minha surpresa muito pouco mudou. Então era isso mesmo. Lembro de que minha última imagem do palco foi ter visto o Gerald saindo orgulhoso. A Franciny disse meu nome a alguem da produção, pedindo para falar com o Gerald. Ele não iria atender, e não atendeu. Lembro-me agora de Terra em trânsito, a peça dele com a Fabi (Fabiana Guglielm...

29/7 (a partir de 28) - Teatro e artes

Ontem, ao ouvir o Gerald, quanto a como coloca a musica (depois), e depois ainda, ao ver uma musica passando pela partitura (e me deixando uma impressao de impossibilidade de traducao em algo mais), percebi que a arte finalmente havia voltado a assumir um lugar inextrincavel em mim. Finalmente percebi novamente que ela existia em mim para algo alem da minha vida, e percebi tambem que qualquer motivacao extemporanea (tipo celebridade, valor em si, razao) para ela era, alem de inutil, irrelevante. Percebi isso e na hora me libertei de coisas ao meu redor imensas, que me faziam sentir amargurado por um peso muito grande. Como se eu DEVESSE atribuir algo aa minha vida por me sentir pequeno demais para tudo o que investi nela. Isso fez com que eu tambem entendesse que, quando QUALQUER COISA for bem feita, ja EE arte em si, e por isso mesmo entendi o valor da edicao no cinema, da atuacao, da luz e tudo mais. Tudo adquiriu de repente um valor maior, para alem da vida inclusive.

Peças novas

Terminei uma peça sobre suicidio. Estou fazendo pelo menos oito novas, em simultaneo, sobre diversos temas. Estou me familiarizando com a nova musica mundial, especialmente na intercessao entre classica e eletronica. Logo devo comecar a compor com meus meios, bastante limitados mas corretos para minha situacao atual. Estou muito produtivo, o que acaba saindo nos intersticios das atividades costumeiras, para ganhar a vida.