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Mea culpa

Nos últimos dias, pisei na bola pelo menos duas vezes. Em uma delas, fui defrontado com a seguinte situação: eu não teria tido boa intenção ao publicar reflexões sobre o trabalho do grupo de um amigo. Em outra, teria sido indelicado criticando uma atriz amiga de forma mal-educada num texto sobre uma peça de que ela participara. Em ambos os casos pedi desculpas.
Mas percebi que a ferida era mais funda. Descobri, consultando meus botões, que meu comportamento, há mais de 25 anos (tenho 47), tem se caracterizado por uma falta enorme de consideração para qualquer pessoa, qualquer uma mesmo. E percebi então que aquilo que uma grande amiga me revelara e que eu havia percebido sozinho ao lidar com amigas e amigos não era invenção. Havia algo de muito podre nesse meu comportamento.
"Naveguei" em reflexões, tentando chegar no exato momento em que isso começou quando percebi que tudo fora fruto de um processo, de uma história de 25 anos para mais em luta com o mundo e comigo mesmo. Teria havido um momento em que eu passei a recusar o trato adequado do outro pela vantagem auferida com isso. Comecei a me afastar de todos, que aos poucos foram percebendo esse meu comportamento e também mantido distância. Não à toa não conseguia arrumar amizades: eu não era mais aquele de outrora. Era outro.
Este domingo foi bem interessante a esse respeito, pois, assumindo de vez que eu não podia mais agir dominado pelas expectativas frustradas de outrora, consegui andar pelo mundo muito mais à vontade, sem o comportamento de assumir um pé atrás diante da vida e portanto sabendo agora perfeitamente onde piso. Foi interessante pela leveza resultante.
Mas nada muda assim tão de repente. Passam as horas e continuo comportando-me da mesma forma de outrora, dessa forma odiosa que assumi para proteger-me do mundo. Só quando caio em mim e percebo o que faço é que consigo, após muito esforço, voltar ao que era antes. À consideração. É uma luta inglória, essa.

Mas que agora é a única pela qual me resta lutar. 

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