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Uma experiência

A SUZANA Desde que a Ulrika explicou o exercício, eu sabia que iria ser terrível. Eu nunca me senti amado. Não que eu não tenha sido amado. Mas eu nunca me senti amado, nem senti que eu tinha motivos para querê-lo. Não importa o porquê disso, que é muito pessoal e que no fundo se restringe à minha pessoa, minha história e minhas expectativas comigo e com o mundo, assim como com meus desejos. Daí que interpretar COMO EU DIRIA A ALGUÉM para me amar era quase um contrassenso. Até porque passei nos últimos dois anos pelo mais profundo e dramático processo a respeito, quase me matando fisicamente por causa disso. No caso, eu disse isso à Raquel por dois anos, joguei todas minhas fichas nisso, e consegui 7 noites de sexo, mais uma amizade que nem sei se tem esse nome. Não nos falamos mais desde nossa última discussão por whatsapp. A presença dela, até por email, hoje me incomoda. Mas gosto dela porque ela me ajudou demais e porque é uma boa pessoa. Mas não sei o que restou de tudo. Além...

Movimento Súplica-Contrição

Quando participava de ensaios para Esperando Godot, pelo Garagem 21 (César Ribeiro), fui defrontado pela primeira vez com o Método Suzuki. Não pude apreender muito dele, na ocasião, mas reparei como me machucava, física e psicologicamente, um determinado movimento de alongamento/aquecimento que consistia em alongar a coluna, no chão, com o alongamento respectivo dos braços à frente, mantendo uma das pernas cruzadas e forçando a região próxima às virilhas. Eu tive muita dificuldade nesse movimento em particular – tanto que o orientador achava que eu estava brincando ao não conseguir abaixar o meu tronco em relação ao chão. Por outro lado, como é possível perceber no primeiro movimento que eu, digamos, “bolei” (Movimento Nascimento-Luta em http://teatro.rcontrera.com.br/2015/08/movimento-nascimento-luta.html), nutro uma profunda reverência, desconhecimento e mitologia sobre movimentos que reduzem a presença corporal ao mínimo e que, no limite, referenciam-se ao nascimento do ser humano...

Movimento nascimento-luta

Tenho muita dificuldade em relaxar. Talvez seja essa a maior dificuldade física genérica que eu tenho. Não relaxo no dia a dia, nunca consegui relaxar no karatê (cheguei à faixa roxa, por volta dos anos 90), não consigo relaxar quando escrevo, nem quando faço sexo, nem quando converso e creio que nem quando durmo. Minha história a esse respeito é simples. Aos 6 anos, vi um golpe de Estado, do qual só me lembro dos sons das bombas e de algumas imagens. Sempre fui muito tímido. Um dia, fui ameaçado fisicamente e fiz karatê em seguida. Note-se que eu praticamente não tinha coordenação motora na época e que portanto os movimentos do karatê são quase os únicos que têm uma profunda identificação comigo. Com o karatê, fiquei uma pessoa violenta e traiçoeira e parei. Encaro os contatos como possíveis ameaças e sendo assim fico sempre na defensiva. Só muito recentemente (mesmo, tipo semanas) venho conseguindo encontrar uma forma de EU falar sem que dê margem a sensações de ameaça vindas da...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS - Crítica

MODOS DE PRODUÇÃO E CRIAÇÃO NO TEATRO E POLÍTICAS PÚBLICAS AZEVEDO, José fernando. ARAÚJO, Antonio. TENDLAU, Maria. Próximo ato, teatro de grupo . São Paulo: Instituto Itaú Cultural, 2011 (Observar especialmente o dossiê “políticas da forma” – textos de Paulo Arantes, Oscar Cornago, José Fernando Peixoto de Azevedo e Kil Abreu). ABREU, Kil. “A dialética das condições e a fatura estética no teatro de grupo”,     em: Subtexto – Revista de teatro do Galpão Cine Horto . No. 5. Ed. CPMT/Galpão Cine Horto, Dez 2008 (enviarei a edição) COELHO, Teixeira. Dicionário Crítico de Políticas Culturais. São Paulo, Iluminuras, 1997. MELO, Lessi.  GOMES, Carlos. Fomento ao teatro, 12 anos. São Paulo: Secretaria Municipal de cultura, 2014 ESTÉTICAS DO TEATRO. TEORIAS DO TEATRO E ESTÉTICAS DO  TEATRO CONTEMPORÂNEO BORIE, Monique. Estética teatral – Textos de Platão a Brecht. Ed. Calouste Gulbenkian. Lisboa, 2000 ARAÚJO, Antonio. “A enc...

Posições quanto à Crítica de Teatro

1 - Vou tentar comentar as posições de alguns/algumas de minhas colegas com respeito às questões levantadas pelo texto “A ficção interrompida”, de Júlia Guimarães Mendes, e os outros, que foram fornecidos por intermédio do face, assim como em comentários escritos no post que começa com um texto do Sarrazac. Deixo claro que aprecio discussões áridas, mas que, acompanhando-as há bastante tempo, hoje me incomodam por aparentarem ser uma forma de “requentar” conceitos clássicos com outras roupagens ou por proporem conceitos que, no frigir dos ovos, parecem não mudar muita coisa (daí minha relutância em levar a sério propostas conceituais ditas alternativas). Minha abordagem, aqui, será bastante idiossincrática, mas gostaria que fosse rigorosa. Como dramaturgo, ator e agora pretendente a crítico, confesso-lhes que muita coisa, na questão humana (abordada assim, bem amplamente), me incomoda. Quase tudo me parece ora superficial demais nas argumentações em diálogo ou mesmo nos monólogos ...

Breve reflexão sobre a dor e o amor

Rodrigo Contrera A sabedoria popular diz que a gente não leva nada da vida, tirando quem sabe a lembrança. É muitas vezes desse tipo de argumento que muitos, premidos às vezes por necessidades econômicas, acham força para continuar. Não se deixam afetar pelas adversidades, e muitas vezes as superam. Essas pessoas não são bem idealistas: estão mais vacinadas contra ilusões. Outros, mais pessimistas, tendem a depositar mais fé naquilo que conquistam, que dá para pegar, que é material – dinheiro, mulher, etc. Estes não se preocupam muito com a suposta vida após a morte. Lutam por coisas que lhes fazem bem agora, enquanto estão vivos. Também não dão tanta importância a valores (como paixão, amor, etc.) ou a sensações. Todos nós enfrentamos dificuldades, é certo. Há aqueles que sabem lidar melhor com elas, e outros que não o conseguem. Durante as aflições, surge a dor. Diante da dor, a gente pode capotar ou resistir. Passada a dor, algo sempre fica. Às vezes como resultado aparecem ...

A arte necessita de educação e ética

Rodrigo Contrera Sou ator há 1 ano e 4 meses, se não me engano. Entrei na área convidado por um diretor amigo meu. Ele viu um personagem que tinha a minha cara e não vacilou. Nem eu, que entrei no jogo e fiz minha parte. Teve muita coisa aprendida e bastante a fazer. Em teatro, nenhum papel acaba quando termina a temporada. Eu já mexia com teatro há 6 anos. Assistira ensaios em coxias, assistira peças muito diversificadas em lugares os mais diversos, escrevera em blogs meus a respeito, lera muito sobre teoria, prática e principalmente história, fizera pequenas peças para apresentação em festivais, montara uma grande, e fizera muitos amigos em diversas companhias. Montei inclusive um grupo próprio, cujas duplas se apresentam em bares. Depois do meu primeiro papel, fiz mais 7, todos pequenos em peças do mesmo grupo daquele diretor. Aprendi bastante, mas sei que em atuação – e direção – o aprendizado, além de constante, leva vidas. Daí que resolvi tentar aprender atuando em cur...