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sobre o teatro de gerald thomas ninguém que o conheça minimamente pode negar que o gerald seja sensível. ele é SUPERsensível. por exemplo, ele percebe antes do que qualquer outro uma leve mudança do ar condicionado. mas ele reaje violentamente. grita, mandando que o ar seja mexido. esse é outro aspecto do gerald que ninguém nega: seu modo de ser violento. não propriamente fisicamente - embora até fisicamente -, mas de uma agressividade latente. os textos do autor gerald são de uma incontornável tendência às remissões. ora isso remete ao fausto, ora isto remete a beckett, ora a julian beck, etc. e muitas dessas remissões remetem a movimentos, momentos atuais. ninguém nega também que para gerald a política e a política dos corpos possua interesse especial. política dos corpos, aquela de foucault. guantánamo o gerald não se convence com guantánamo, com o fato de o SEU PAÍS (o dele, os estados unidos) terem idealizado essa prisão-modelo, em que se prende quem não se tem autorização para pr...

Peças não comentadas

não na ordem: "Vestido de Noiva", Os Satyros, no Itaú Cultural, apresentação única. Expliquei ao Ivam o porquê. "Rosa de Vidro", de João Fábio Cabral, em Satyros 2. Foi muito forte para mim, bloqueei. "Um Lugar de Sarah", de Sônia Lopes, no Viga. Várias vezes, tudo tornou-se próximo demais, forte demais, íntimo demais. Bloqueei. "Walkiriana", de Lulu Pavarim, com Angélica Angelucci, no CCultural São Paulo. Muito confuso, por extremamente próximo e polêmico. (teve também filmes, mas agora não cito)

Divinas Palavras (de: Ramón del Valle-Inclán; dir: Rodolfo García Vázquez) *

Apresentação: Prometi duas vezes, a Ivam Cabral e a Alberto Guzik, que iria fazer um texto comentando o espetáculo, ao qual assisti também duas vezes. As excessivas tarefas a que me fiz sujeito e minha sensibilidade, cada vez mais bloqueada - talvez por desnorteio, impediram-me de parar para sentir-me e sentir melhor a peça. O texto "Palavras divinas desperdiçadas", de Jefferson del Rios (O Estado de São Paulo, 14/12/2007), felizmente serviu como faísca: 1) por discordar dele em alguns pontos, 2) por, em oposição a ele, poder retomar assuntos que me movem e 3) por atiçar novamente meu sistema nervoso. Os comentários a seguir apareceram como contraposição a ele e como forma de me libertar, não da tarefa, mas do peso do grotesco. Mas só do peso, porque o grotesco, ele mesmo, só podemos mesmo carregar até o fim. Breve comentário do texto de Del Rios: 1) Todo teatro é compartilhado, tão logo é encenado. Por isso, e por optar por purismo, Beckett dirigia ele mesmo seus espetáculos...

Simpatia (dir. Renata Melo; dramaturgia: José Rubens Siqueira)

Texto: Ótimo, derivado de entrevistas com vendedoras de porta-em-porta (facilitadas pela Avon, patrocinadora), consistentemente afastando-se de tratar situações corriqueiras como clichês e propositadamente abusando de clichês (especialmente referidos ao aspecto das simpatias), com efeito empático eficaz e extremamente simpático. Não restrito ao universo do público esperado (classe média). Certo abuso, em diversas ocasiões, do estilo sincopado da fala verbal (especialmente nos personagens masculinos). Uma ressalva: o predomínio acachapante dos monólogos e de sketches, que chega por vezes a cansar, quase pedindo o descanso para uma cena de maior fôlego e profundidade (que não acontece). Cenário: Curioso e eficiente, limitado a armações móveis (paredes, portas, janelas) que separam ambientes, criam ambientações mais intimistas, servem de enquadramentos e meios de fachos de luz e dão textura à peça e a cenas em particular. Um dos diversos pontos altos do espetáculo. Atuações: Empáticas sem...

Simpatia (dir. Renata Melo, dramaturgia: José Rubens Siqueira)

Texto: Ótimo, derivado de entrevistas com vendedoras de porta-em-porta (facilitadas pela Avon, patrocinadora), consistentemente afastando-se de tratar situações corriqueiras como clichês e propositadamente abusando de clichês (especialmente referidos ao aspecto das simpatias), com efeito empático eficaz e extremamente simpático. Não restrito ao universo do público esperado (classe média). Certo abuso, em diversas ocasiões, do estilo sincopado da fala verbal (especialmente nos personagens masculinos). Uma ressalva: o predomínio acachapante dos monólogos e de sketches, que chega por vezes a cansar, quase pedindo o descanso para uma cena de maior fôlego e profundidade (que não acontece). Cenário: Curioso e eficiente, limitado a armações móveis (paredes, portas, janelas) que separam ambientes, criam ambientações mais intimistas, servem de enquadramentos e meios de fachos de luz e dão textura à peça e a cenas em particular. Um dos diversos pontos altos do espetáculo. Atuações: Empáticas se...

Cecil Taylor (TIM Festival, 28/10/07, 20h30)

o velhinho é um tímido. que se combate dialogando a marteladas com a percussão das cordas do Steinway. incapaz de conviver com a desrazão espiritual reinante, o velhinho cecil entra sem invadir, sai sem escapar. reluta em confrontar olhares impondo o poder de sua poesia, tão apoiada em guturais como no desespero de conectar o presente com o passado para construir um melhor futuro. o entabular consigo mesmo obriga cecil a arremeter no piano compartilhando sentidos e aromas nas duas tão potentes formas de expressão (a música e a palavra, a palavra e a música). está-se diante de um colosso autosustentável, num solo que concentra as energias para conduzi-las ao infinito, e não face um virtuosismo inócuo, de pés de barro, egolátrico. folhas sem marca condensam o plano de obras complexas cujo aparecimento induz o imediato esfumar dos sentidos. importa é a nota a seguir, a postura a compor a figura, o respirar a conduzir a performance. cecil faz tanto teatro quanto música, e performance quant...