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Estatísticas - Janeiro 2014

Otelo

Diversas vezes tentei embarcar no bardo. Algumas vezes por Romeu e Julieta, outras por Hamlet mesmo. Mas, não sei se é por causa da tradução, o esforço parece vão. Não consigo introjetar o drama vivido. Não consigo achar simpatia nos personagens. Não consigo entender em que direção vão as coisas. E o monólogo de Hamlet parece esmaecido. Mas há alguns dias, poucos, peguei finalmente Otelo. Aqui a coisa parece bem diferente. Em Otelo, o bardo caracteriza os personagens com sutileza quase indescritível, entremeando as farpas que parecem espalhar com lógicas carinhosas por detrás dos atos, costumeiramente entendidos. Iago já diz a que veio. Rodrigo também. E Otelo parece adquirir vida e cor tão logo aparecem as primeiras palavras em sua boca. É gostoso ler este clássico. Não sei bem o que acontece, mas por enquanto parece que apenas ele consegue funcionar. Vejamos.

balanço

preciso fazer um balanço. dos meses que se foram, de todas as emoções que vivi, dos trampos que peguei e das lições que levei comigo. não vou dizer o que outros (envolvidos) pensam a respeito. importam os fatos, como me senti e o que auferi disso tudo. bom, fato é que desde setembro eu vivi uma relação estranha. conheci uma garota, começamos a sair, rolou e rolou novamente, continuamos saindo (e ela, também com outro cara), eu acabei me apaixonando, pedi várias vezes ela em namoro, ela recusou todas as vezes mas não estabelecia um ponto final, fui ficando desesperado, até o momento em que brigamos muito forte justo na passagem do ano e rompemos, reatamos e rompemos. continuamos nos vendo por web, mas a alguns dias não nos falamos. ela quer dar um basta em tudo. está namorando com aquele outro cara. tudo aconteceu durante minhas férias, e não poderia ter sido diferente. gastei horas e horas sofrendo e pensando nela, na relação e tudo, mas isso não deu em nada. acabei ficando sozinh...

no teatro, a gente jamais está só

soube por um post do marião do falecimento do fauzi arap. é estranho, mas o fauzi adquirira tons de mito mesmo desde antes de ouvir falar dele pela boca do loureiro. e um mito como sempre inacessível. como se ele tivesse se trancado ao mundo. pelo menos era isso que eu podia inferir. vez ou outra, via o nome dele num e noutro post e a curiosidade aumentava. mas o fato é que venho descobrindo que há pessoas e lições em direção das quais a gente não deve ir atrás. ocorre porém que, se bem venho entendendo, algo do teatro do fauzi não me parece ser estranho. pois, verificando o quanto é verdade que os mestres ditam o rumo do teatro por meio de seus pupilos, entendo que algo do método fauzi deve ter me sido cedido, com muita boa vontade, nas lições e no simples convívio com alguns de seus pupilos diletos que considero meus amigos. a singeleza. o domínio do que faz. a educação. jamais levantar a voz. sempre compreender. a rigidez na atribuição do papel de cada um. a necessidade de exigir ...

debate

ontem quase vou assistir um debate. não fui e aproveitei bem a noite. fiquei sabendo que quase ninguém foi ao dito. tá certo, um debate vale pelo debate. mas, sei lá, acho que não dá para ficar tudo entre amigos. é preciso trazer sempre alguéns de fora. alguéNS. pois fico sabendo, por um artigo do Michel Laub na Piauí, que lá em frankfurt uma cidade de 20 mil habitantes consegue trazer 80 pessoas na plateia de um debate. aqui, às vezes falamos com um e outro, e olha lá. não quer dizer que sejamos tão ignorantes, acho eu. mas fato é que as prioridades culturais da grande maioria vão em direções, diria, mais escatológicas. falta um diálogo, aqui. não acredito que não haja mais esperança.

novela

nunca assisti uma novela como assisto amor à vida. agora entendo a fissura que o espectador tem com reviravoltas na trama. agora entendo esse negócio de "novela pegar". digo, não que entenda, agora eu sinto o drama. é curioso que no caso de amor à vida sinto que todos os personagens possuem demasiadas arestas, e que são elas que lhes permitem criar subtramas que, de alguma forma, cativam o espectador. temos a gorda que se separa para se aceitar melhor. temos a amiga da gorda que não consegue se separar de um sujeito que é casado com uma advogada que lhe dá chifre com a primeira (amiga da gorda). temos a piranha que casa com um homem muito mais velho para se vingar. temos a esposa do sujeito mais velho que condenou à cadeia a babá que não conseguiu evitar a morte do filho. temos o filho caçula que aprontou com quase todos e que agora está na merda, vendendo cachorro quente. temos a médica, filha do homem mais velho, que teve uma filha com um sujeito que é artista reco...